Dark stores: solução inteligente para logística

24 de agosto de 2021Tempo de leitura: 3 minutos

As vendas no comércio eletrônico já se tornaram realidade na vida dos brasileiros. Apenas entre janeiro e março de 2021, as compras online somaram R$ 35,2 bilhões, registrando o aumento de 72,2% comparado ao ano anterior. Os dados são da Neotrust. 

Para acompanhar o ritmo de expansão, grandes marcas do varejo investem em soluções inteligentes para complementar a oferta das lojas físicas e também de seus e-commerces. E um jeito eficiente de fazer isso é apostando nas dark stores — espaços para armazenagem, separação e envio de produtos comprados online. Diferentemente dos galpões logísticos tradicionais, as dark stores parecem lojas comuns localizadas em centros urbanos, mas fechadas ao público.  

Gigantes do mundo do varejo, como Carrefour e Walmart, estão inaugurando “lojas escuras” em diferentes regiões do mundo. Em alguns estabelecimentos, os clientes podem inclusive retirar os produtos comprados pela internet nesses pequenos galpões. Como esses espaços não são pensados para receber pessoas, eles não podem acessar, mas conseguem retirar a compra já embalada, em um sistema drive through ou “clique e retire”

Para explicar o potencial das dark stores para o mercado de varejo, convidamos uma especialista no assunto: a arquiteta Vera Zaffari, CEO da VZ&CO. Confira: 

Por que os varejistas deveriam investir na construção de dark stores

VZ: Esse modelo de galpão logístico está ganhando espaço, porque ajuda a melhorar a experiência e conveniência do cliente, que pode escolher se prefere receber o produto  em casa em um breve tempo ou retirá-lo na loja física. Além de facilitar o atendimento pelos canais de compras, esse modelo oferece conveniência, qualidade e o investimento ao varejista é reduzido. Afinal, esses espaços de armazenagem são menores do que um galpão logístico tradicional. Na prática, esses empreendimentos lembram o tamanho e localidade de um comércio de proximidade, pois normalmente estão localizados em centros urbanos. 

O conceito de dark stores não é novo, mas tem se tornado mais popular agora, depois da pandemia. Por que isso aconteceu? 

VZ: É praxe que os consumidores busquem mais comodidade, qualidade e valor na hora de fazer suas compras. A pandemia apenas acelerou esse movimento, que já era crescente, de ampliação do consumo online. Acontece que muitas lojas físicas não estavam preparadas para atender as demandas de seus e-commerces. Muitas não tinham um planejamento logístico consistente, com centros de distribuições, transit points e dark stores.  Agora, o varejo começou a buscar soluções de arquitetura para se adaptar a essa realidade e, por isso, aumentou o interesse pelas dark stores. Particularmente, considero uma estratégia inteligente porque essas lojas não demandam grandes investimentos de arquitetura ou manutenção, têm localização central, exigem áreas físicas menores, aumentam a visibilidade da marca e ainda ampliam a satisfação do cliente — que pode retirar o produto comprado de forma rápida e prática, como o clique e retire.

Você disse que uma das vantagens desse modelo no varejo é a conveniência. Por quê?  

VZ: Se pararmos para pensar, ninguém quer passar horas para realizar uma compra, nem esperar muito tempo para receber um produto em casa. As dark stores solucionam esses dois problemas. Isso porque elas oferecem economia ativa, 24 horas por dia e 7 dias por semana, possibilitando o máximo de flexibilidade ao cliente para realizar uma compra. Tudo sem fila, espaços lotados e sem problema de estacionamento. Assim é mais fácil compreender o porquê dessa logística funcionar. 

Quais os ganhos dessa solução para os varejistas? 

VZ: Como são modelos menores de galpões logísticos, o investimento não é tão alto quanto investir em um centro de distribuição, por exemplo. E eles são colocados em áreas residenciais, em pontos estratégicos para atender a todos. Pelo espaço não oferecer essa opção de presença física para comprar, os lugares podem ser menores e exigirão menores custos na manutenção estética. O projeto de arquitetura é otimizado, focando na organização do espaço e em estratégias para facilitar as retiradas dos produtos. Além disso, a qualidade e o frescor dos produtos (no caso de alimentos) poderão ser melhor gerenciados. Pelos produtos serem vendidos online, poderão ser armazenados em condições ideais, sem exageros e sem a preocupação de algo faltar. Além disso, nas dark stores os donos do varejo podem controlar melhor o estoque, evitando desperdícios. 

E para os clientes? 

VZ: Oferecer a possibilidade de escolher se quer receber o produto ou fazer a retirada, passa segurança e satisfação. Se o consumidor tiver urgência e preferir não esperar o serviço de entrega, a opção do clique e retire é rápida e com fácil acesso, já que o espaço não está distante de bairros residenciais. Além disso, pelo lugar estar bem localizado, o valor do frete também é reduzido na hora do fechamento da compra.

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