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Conheça o futuro da arquitetura de varejo

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As pessoas querem mais comodidade e não estão mais dispostas a perder tempo em filas intermináveis ou em ambientes que não lhes ofereçam uma experiência diferenciada. Em paralelo, as vendas online cresceram exponencialmente nos últimos meses e mudanças que levariam cinco anos para acontecer, foram aceleradas pela pandemia da Covid-19. Com isso, o varejo está tendo de se reinventar e a arquitetura que cuida desse setor também. 

O varejo bem-sucedido é aquele que se adapta à medida que as preferências, hábitos e tecnologia do consumidor mudam. E uma das mudanças mais proeminentes foi a mudança para o comércio eletrônico” explica Vera Zaffari, CEO da VZ&Co, escritório de arquitetura especializado em varejo.

Há mais de 20 anos atuando no mercado, ela nos conta sobre as principais tendências do varejo para os próximos anos, acelerados — segundo ela — pela pandemia do novo coronavírus. Confira:

Como você enxerga o futuro da arquitetura de varejo?

Vera Zaffari: Andando pelos centros de compras, mesmo aqueles mais consolidados e considerados nível A ou A+, é impossível não perceber os efeitos da pandemia no varejo de lojas físicas. Vários espaços, antes ocupados por lojas, estão fechados com tapumes no aguardo de novas locações ou soluções inovadoras que reinventem estes espaços. Neste período vimos que as vendas online cresceram exponencialmente no mundo inteiro. Mudanças que levariam 5 anos para acontecer, foram abreviadas e aconteceram em poucos meses. O que parece claro, entretanto, é que uma reformulação massiva da experiência de compra está em andamento. Este é o momento de acompanhar de perto o cenário do varejo que está em rápida evolução. Mudanças demográficas e aumento do comércio eletrônico são características da sociedade atual, ameaçando os shoppings tradicionais. Só que o design de experiência e a tecnologia são os ingredientes principais para o futuro bem-sucedido das compras off-line. Então, o varejo bem-sucedido é aquele que se adapta à medida que as preferências, hábitos e tecnologia do consumidor mudam. 

Quais são suas apostas para o futuro dos shoppings centers?

VZ: O ambiente competitivo está mudando, forçando-nos a repensar sobre o futuro da indústria de shopping center, desde quantos e que tipo de operações precisam abrigar e quão grande um equipamento deve ser para ter sucesso. Embora o e-commerce continue crescendo, a previsão é que em 2030, grande parte das compras ainda ocorrerão em lojas físicas e uma porcentagem ainda maior será influenciada por experiências em um ambiente físico, tornando-se crucial repensar o conceito atual. E me arrisco a fazer algumas previsões de como será o shopping do futuro, mesmo que saibamos que algumas poderão não se viabilizar.

 A conveniência terá um papel ainda maior no futuro do que hoje em função do e-commerce o click collect permanecerá vigente, alguns provavelmente na forma de mercearias de produtos frescos, onde os clientes podem comprar online e retirar os produtos prontos para serem consumidos. Os centros de coleta, operados por um varejista individual ou até mesmo pelo próprio centro de compras, também podem servir como locais onde as compras online sejam retiradas, devolvidas, alugadas e até revendidas. 

Sabemos que o espaço aberto é o marco para essa tendência. Por quê? 

VZ: Pesquisas já revelaram que os centros comerciais precisam ter áreas verdes, inspiradas em parques, e espaços para o cliente trabalhar, estudar, se divertir e até morar. Os espaços verdes podem substituir as grandes áreas de asfalto que cercam os centros comerciais de hoje, ocupando os espaços destinados aos estacionamentos, incentivando os consumidores a interagir com a natureza ou apenas desfrutar da paisagem. Esta possibilidade só se faz possível através do aumento do uso dos carros por aplicativo ou pela tendência de crescimento do uso da bicicleta, diminuindo a necessidade de tantas vagas de estacionamento.

Diante desse cenário, os Open Malls tendem a crescer?

Vera Zaffari: As instalações ao ar livre vêm ganhando popularidade nas compras offline porque permitem um distanciamento social mais confortável ao ar livre e por ser um local que aproveita a ventilação e luz natural. Os custos com manutenção acabam sendo reduzidos. Além disso, por serem construídos, em grande maioria, em bairros residenciais com grande fluxo de pessoas, acabam se tornando opções para quem está em busca de fazer compras rápidas e, preferencialmente, nos caminho de volta para casa já que eles costumam ser mais fáceis de acessar, estacionar e entrar do que muitos shopping centers e centros comerciais regionais. Um ambiente para reunir conveniência, serviços, alimentação e aquele espaço verde para descansar. É um local que os dois lados ganham: os varejistas e os clientes. 

Todas essas tendências que você citou foram provocadas pela pandemia de Covid-19 ou apenas potencializadas por ela?

VZ: Antes mesmo da crise sanitária, o mercado já estava investindo em projetos de Open Malls, mas com a pandemia isso se intensificou. Como estes locais são uma ótima opção para continuar mantendo o distanciamento com segurança, eu arrisco dizer que o período pandêmico foi um catalisador para esse mercado. A tendência é que os ambientes a céu aberto gerem mais energia e engajamento para os clientes do que os tradicionais shoppings fechados. 

Para completar, com o aumento de pessoas em home office, esses espaços poderão ser os locais utilizados para reuniões, apesar de mais raras, que precisam ocorrer de forma presencial. Os centros comerciais passarão a ser o ponto de marcar reuniões, espaços para trabalhar, almoçar, fazer compras, passar por uma consulta, ir à academia etc.

Quais são as vantagens de um open mall para os donos de shopping e lojistas

VZ: O custo operacional é inferior ao de um shopping tradicional. Nos Open Malls existem lojas de diversos segmentos e a estrutura costumam contar com amplo estacionamento. Além disso, esses empreendimentos possuem vantagens similares às de um shopping center, como a segurança, limpeza, gestão profissional etc. Mas o ponto interessante, qual gosto de destacar, é justamente a taxa de condomínio menor. Então é possível oferecer os mesmos recursos de um shopping tradicional, com uma dinâmica de loja de rua.

Quais os ganhos para o consumidor?

VZ: A rapidez para resolver demandas em um só ambiente como conveniência, serviços e alimentação. É um espaço que reúne lojas de diversos segmentos, tornando o centro de proximidade um local completo e variado. Além disso, como já mencionei, é um ótimo ambiente para descansar também por causa dos espaços verdes, caso o mesmo privilegie os espaços com um bom projeto paisagístico.

Falando em consumidor, o que pode ser feito para mantê-los presentes em espaços comerciais? 

VZ: No futuro, toda atividade comercial terá o consumidor como seu arquiteto ou fracassará. O sucesso do varejo – hoje e amanhã – começa e termina com o desenvolvimento de uma compreensão competitiva do consumidor. Cada varejista ou centro de compras precisará elaborar uma proposta de valor ou promessa de marca distinta e inequívoca centrada no cliente. 

Os novos consumidores claramente preferem interações personalizadas e autênticas com a marca, uma preferência geralmente combinada com a crença nos benefícios de criar e manter fortes conexões com suas comunidades locais. Então, enquanto os centros de compras do passado usavam a tecnologia de maneira puramente logística e transacional, os empreendedores do futuro devem aproveitar as tecnologias que lhes permitem interagir e se comunicar com os consumidores armados com suas próprias tecnologias de compras e entendê-los nas suas autênticas necessidades. 

Por que investir, então, em tecnologias para oferecer melhor experiência aos clientes? 

VZ: Porque os centros de compras do futuro serão ambientes onde as pessoas se reúnem para se relacionar com amigos, conectar-se com compradores com ideias semelhantes, buscar experiências únicas, reafirmar valores, e relacionar-se de forma interativa com as marcas em um nível pessoal. As transações serão um subproduto da socialização e do engajamento do consumidor.  Os centros de compras podem se parecer com os shoppings de hoje ou poderão ser bem diferentes. As lojas de varejo tradicionais podem ancorá-los ou podem ser ancorados por unidades residenciais especiais construídas para um propósito, um complexo de entretenimento, um centro esportivo, uma instituição educacional ou instalação de saúde, ou mesmo organizados em torno de um tema ou conceito.

Independentemente da forma, eles serão organizados em torno do “impulso” do consumidor.  A nova ênfase será em bens e serviços locais ou regionais, autênticos, orientados para valores ou ofertas que proporcionam experiências e formam a infraestrutura de conexão que permite e facilita a forma como vivemos, trabalhamos, nos socializamos e, é claro, fazemos compras. 

Open Mall: a conveniência dos centros comerciais de proximidade

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A tendência mundial dos Open Malls, que está recriando os shoppings centers e transformando-os em centros comerciais a céu aberto, está ganhando força e, no Brasil, já está presente em diversas cidades brasileiras. O conceito que surgiu nos Estados Unidos nos anos 80 também é conhecido como Strip Mall ou Strip Center, é uma solução arquitetônica que viabiliza menores custos de manutenção e uma opção que resulta em um espaço mais agradável ao público.

O estilo de vida atual e as mudanças demográficas, em especial nas grandes cidades, vem aos poucos alterando a maneira como as pessoas vivem e também os locais onde buscam realizar as suas compras. Como consequência, centros comerciais mais próximos das residências ou locais de trabalho da população dessas cidades estão ganhando espaço. E, justamente por esse motivo, os Open Malls são uma tendência que vem se espalhando pelo Brasil e se apresentando como uma alternativa facilitadora do dia a dia.

Por serem erguidos, geralmente, em bairros residenciais com grande fluxo de pessoas, os empreendimentos se tornam ótimas opções para os clientes que estão em busca de fazer uma compra rápida e, preferencialmente, no caminho de volta para casa. As principais demandas cotidianas que mais se destacam são os segmentos de conveniência, serviços e alimentação — prioritários na composição do mix destes locais.

Quais são as características de um Projeto de Open Mall?

Normalmente, os Open Malls são estreitos, construções horizontais e contam com uma faixa (strip) de lojas com um amplo estacionamento em frente. Ou seja, necessitam de uma área maior para serem projetados. Como o investimento para aquisição de terrenos desse porte é muito alta em centros urbanos, as cidades menores ou regiões mais afastadas estão cada vez mais na mira desses investidores.

Estes locais reúnem lojas de diversos segmentos, tornando o centro de proximidade um local completo e variado. É possível encontrar livrarias, salão de beleza, lanchonete, floricultura, pet shop, docerias, cafeteria e até um pequeno supermercado — o que oferece aos moradores de um bairro um centro de compras completo, conveniente e diversificado, reunindo tudo em um só lugar.

No caso dos Open Malls não existe a necessidade de marcas âncoras como acontecem nos Shopping Centers pois já existe um varejo implementado. Todas as marcas fazem papel de âncora pela necessidade, sinergia e a conveniência que elas oferecem. Ter marcas líderes em seus respectivos segmentos fortalece o strip mall, mas a ausência deles não compromete o sucesso do empreendimento.

O principal objetivo destes espaços é proporcionar aos clientes uma compra rápida e eficiente, de forma que, através de uma única parada “one stop shop”, os mesmos possam satisfazer suas necessidades de consumo em curto espaço de tempo, através de uma agradável experiência, traduzida em um ambiente iluminado, agradável e seguro.

Além disso, esse modelo de empreendimento possui várias vantagens que são similares às de um shopping center. Como segurança, limpeza, manutenção, gestão profissional e o melhor: tudo isso sob uma taxa de condomínio menor que a dos shoppings tradicionais e com uma dinâmica de loja de rua.

Também é importante lembrar que o consumidor dos Open Malls e dos shoppings é o mesmo, apenas em momentos de consumo diferente. O strip center está no sentido going home do consumidor. Ele vai para um período de compra de 15, 30, no máximo, 40 minutos. Ao ir ao shopping, o cliente vai com mais tempo, com o objetivo de ter entretenimento e lazer, não para fazer compras de conveniência.

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Mudanças no consumo & pandemia 

A pandemia do COVID-19, mais do que provocar novos comportamentos, está acelerando mudanças que já se anunciavam. Uma dessas tendências é perda do protagonismo das regiões centrais das grandes metrópoles e a valorização das zonas residenciais e suas áreas de proximidade.

Há também um outro motivo importante para essa mudança de comportamento: o trânsito nas cidades. Os congestionamentos são cada vez mais frequentes nas grandes cidades e isso vem desestimulando as pessoas a utilizarem veículos para deslocamento — o que favorece o comércio próximo das casas e locais de trabalho das pessoas.

Novos comportamentos que estão surgindo:

– Lojas de alimentação, artigos de primeira necessidade e serviços em geral, terão prioridade para o consumidor;

– O consumo perto de casa deve crescer, seja em razão das pessoas saírem menos, seja em razão do aumento da prática do home office e delivery;

– As pessoas escolherão os espaços abertos e humanizados, evitando aglomerações;

– Estacionamento fácil e rápido, segurança, velocidade de compra e principalmente limpeza, serão fatores de decisão.

O que investidores e lojistas ganham com os Open Malls? 

Os Open Malls brasileiros têm se mostrado uma opção atraente para varejistas interessados em instalar suas lojas em polos comerciais de rua organizados, com boa estrutura, segurança, boa iluminação e custos compatíveis com suas necessidades.

Na verdade, os ganhos com os centros de proximidade são muitos. É um produto que se demonstrou muito sólido em um período de instabilidade econômica e uma das principais razões é o retorno financeiro pela fidelização do público do entorno. Nada mais cômodo que encontrar, perto de casa, um centro comercial com diversas lojas e serviços que facilitam o dia a dia. Isso faz com que o público fique cativo e opte pelo Open Mall ao invés de um Shopping mais distante e lotado.

Vale ressaltar que estudar a localização de onde se quer empreender para saber os aspectos positivos e negativos da região é uma estratégia cada vez mais comum adotada pelas empresas. Atendimento às necessidades do bairro, acessibilidade, fluxo de pedestres, estacionamento, higiene, segurança e diferentes opções de pontos comerciais são alguns tópicos que os empreendedores reparam quando vão investir em um negócio como esse.

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Vantagens de um Open Mall:

– Custo operacional bem inferior ao de um shopping center convencional;

– Uma loja de cada segmento;

– Sem espaço para mais de uma loja com os mesmos produtos ou serviços;

– Estrutura com amplo estacionamento;

– Grupo de lojas dispostas em fila com um grande estacionamento na frente;

– Ajuda no crescimento do bairro.

Open Malls e o meio ambiente

O consumidor está cada vez mais interessado em uma interação com o meio ambiente. Esse novo formato de centro de proximidade, com uma estrutura mais aberta e com mais áreas de convivência verdes, proporciona ao público uma sensação de estar passeando ao ar livre, porém com a mesma segurança e conforto que os shoppings centers oferecem.

O projeto paisagístico é um dos grandes diferenciais dos Open Malls. Além de estar aliado à sustentabilidade, os espaços são agradáveis, geralmente, bem arborizados, com jardins e espelhos d’água. Assim, além de oferecer um espaço interessante ao público, esse empreendimento também reduz custos com manutenção, devido ao aproveitamento de ventilação e luz natural com a criação das áreas verdes.

O que um Open Mall precisa para ter sucesso?

Os Open Malls devem possuir algumas características importantíssimas para darem certo e serem resilientes em momentos de crise:

  • Localização: devem estar em avenidas ou ruas movimentadas com grande fluxo de pessoas ou carros;

  • Visibilidade: o imóvel deve estar preferencialmente em esquinas onde será notado por pedestres e veículos que por ali passam;

  •  Projeto: deve ser pensado para facilitar a visualização do empreendimento, otimização da área bruta locável, o mix correto de lojas e as facilidades de acesso ao estacionamento;

  •  Estacionamento: ponto importantíssimo desses empreendimentos para que haja conveniência das pessoas estacionarem para consumir naquelas lojas sem nenhuma dificuldade;

  • Mix de Lojas: a seleção das lojas é muito importante para tornar possível que os usuários realizem tarefas num mesmo momento e lugar;

Os Open Malls estão conquistando uma fatia importante do consumo na sociedade e, cada vez mais, favorecendo o comércio local. Já os shopping centers, mais distantes de áreas de influência e de grande fluxo de pedestres, terão que investir em operações que sejam destino, na oferta de experiências diferenciadas, em lazer e entretenimento, e em um mix de lojas muito atraente que priorize a experiência do usuário.

Se você quiser conversar mais sobre esse assunto, você pode entrar em contato com o nosso time de arquitetos especialistas em projetos de arquitetura comercial.

OPEN MALL: UMA TENDÊNCIA DE VAREJO NO BRASIL

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Conceito vindo dos Estados Unidos nos anos 80, os Open Malls estão ganhando força no mercado brasileiro. A tendência mundial, que está recriando os shoppings centers e transformando-os em centros comerciais a céu aberto, além de ser uma solução arquitetônica que viabiliza a redução de custos de manutenção, é uma opção que resulta em um espaço mais agradável ao público.

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