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BIM e metaverso: como preparar o mercado para a tendência

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Até 2024, o metaverso receberá R$ 4,5 trilhões em investimentos, segundo levantamento realizado pela Bloomberg Intelligence empresa global de pesquisa do mercado financeiro. Todos os setores da economia serão impactados, inclusive a arquitetura de varejo. E para deixá-lo por dentro do que vem por aí,  fizemos uma entrevista exclusiva com o arquiteto e urbanista, Rogério Lima. Doutorando na Universidade de Lisboa, em Portugal, é mestre em arquitetura pela UFRJ, professor universitário há 21 anos e diretor acadêmico do Master Internacional em BIM Management, da Zigurat. Além disso, realiza pesquisas na área de Sistemas Gerativos aplicados ao BIM. Confira:

O metaverso está em alta e já existem empresas apostando na tecnologia para acompanhar essa nova tendência. Na arquitetura e no BIM, qual será o impacto dessas tecnologias?

RL: Na ótica da arquitetura e do BIM, não existe nada muito definido. O que temos são especulações de como o metaverso será útil para o nosso mercado. Tanto o BIM quanto o metaverso são inovações que trabalham em um ambiente tridimensional.  Existem algumas possibilidades que poderão acontecer quando essa tecnologia estiver mais sólida, como o desenvolvimento de  softwares de projetos totalmente imersivos, permitindo a modelagem das construções diretamente no metaverso

E como seria essa modelagem feita em BIM, utilizando a tecnologia do metaverso?

RL: Na hora de projetar, essa modelagem imersiva vai aumentar a interatividade do projeto. Vai ser como se estivéssemos dentro do projeto, mudando escalas em tempo real, por meio da realidade virtual. E  já que estaremos em um ambiente de criação,  poderei  empurrar a parede, puxar um pouco do teto, mover um objeto do lugar, isso tudo em uma escala real, não só naquela dimensão da projeção em 3D.

Além disso, dentro do BIM, a gente fala muito em colaboração. Há ambientes já criados na metodologia para permitir essa forma de trabalho, como o Common Data Environment (CDE ou Ambiente Comum de Dados, em livre tradução). Eu vejo que o metaverso pode viabilizar a criação de um CDE imersivo, para a coordenação de projetos de arquitetura. Esse espaço vai possibilitar que eu “entre” com a minha equipe — cada um com o seu avatar — e, ali, a gente começa a cocriar um projeto, por exemplo. Poderemos debater as escalas e as diretrizes do projeto como se estivéssemos em uma reunião presencial.

O metaverso nada mais é do que um universo digital. E quando falamos sobre desenvolver projetos de arquitetura para edifícios, lojas comerciais etc, como esse espaço virtual pode impactar no seu desenvolvimento?

RL: O que acho interessante é que, no metaverso, nós não vamos ter restrições físicas. Eu não tenho gravidade no metaverso. O que eu tenho são intempéries. Então não faz frio, não faz calor etc. Talvez, vamos nos preocupar apenas com o  tamanho do lote, mas como não existem limites para criatividade,  a projeção de um prédio no metaverso poderá ser muito mais interessante e muito mais ousado do que um prédio real. Nós, arquitetos, vamos poder experimentar mais possibilidades, mais arte dentro da arquitetura que não conseguimos fazer no mundo real por conta de custo e restrições legais. Então, eu acho que o metaverso vai ser um ótimo lugar de experimentação para a gente criar, inovar, ter um termo artístico mais forte, identidade forte, que tenha uma comunicação forte com aquilo que se está projetando, porque isso vai ter um respaldo aqui fora.

Se essas especulações sobre o metaverso estiverem certas, quais serão os ganhos para o mercado?

RL: Estamos, ainda, em um momento em que tudo está um pouco nebuloso. O que eu digo, agora, não é 100 % certeza de acontecer, mas dá para a gente saber que vai ter, sim, um mercado em funcionamento. Inclusive, algumas empresas  já iniciaram as suas atividades no metaverso. E quando digo “mercado”, é de maneira geral, não só a arquitetura. Já é possível comprar sapatos, roupas, televisão etc no mundo do metaverso. Os produtos são vendidos para um avatar, mas quem paga são pessoas reais.

As mudanças já estão acontecendo, mas em quanto tempo esse universo do metaverso estará consolidado para o BIM e para a arquitetura?

RL: Em média cinco anos para a gente estar com essa ideia mais formatada e, até mesmo, em funcionamento. Até lá, muitos testes serão feitos, assim como as experimentações. Muita gente vai quebrar a cara, Muita gente vai se dar muito bem! Hoje, de maneira geral, já existem muitas empresas empolgadas e tentando criar o seu negócio dentro do metaverso e tudo são fases de especulações e experimentações. Assim como, também, têm as que estão mais retraídas.

Qual é o seu conselho para os comerciantes, empresários e varejistas interessados em atuar no metaverso?

 

RL: Ainda está tudo um pouco incerto, mas eu acho que, independente do seu posicionamento — se está retraído ou empolgado —, você não pode virar as costas para o que está acontecendo. Mesmo que o seu negócio não esteja no metaverso agora, o mínimo a fazer é se instruir sobre o assunto. É preciso entender  como isso pode  afetar a sua empresa, como isso vai impactar a sua vida. Inclusive. Embora eu ache que leve cinco anos mais ou menos para acontecer, haverá oportunidades de  trabalho para as pessoas no metaverso. É uma construção e você precisa estar preparado para quando chegar o momento!


BÔNUS

Em fevereiro deste ano, Rogério Lima  se reuniu com a nossa equipe para debater, um pouco, a relação entre BIM e metaverso. A conversa está disponível em seu canal do Youtube, o BIMverso. Acesse: Metaverso: e o BIM com isso?

O impacto do metaverso na arquitetura de varejo

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O mercado está mais digital e com o foco bem centrado ao metaverso  universo digital que explora diversas tecnologias, como realidade aumentada, inteligência artificial para criar interações e muito mais. Com a ascensão tecnológica e o avanço da era digital, lojistas e varejistas têm se adaptado para seguir o ritmo e adequar suas lojas físicas às lojas virtuais para continuar oferecendo experiências diferenciadas ao público. Se você ainda está pensando em como o metaverso vai impactar o seu negócio no varejo, nós temos uma excelente notícia: o método abre diversas possibilidades dentro da arquitetura de varejo, permitindo que profissionais da arquitetura desenvolvam soluções inteligentes e que são adaptáveis tanto às lojas físicas, quanto às virtuais.

Até 2024, a previsão é que o mercado do metaverso cresça cerca de R$ 4,5 trilhões e movimente a economia. Os dados são de um levantamento realizado pela Bloomberg Intelligence — empresa global de pesquisa sobre o mercado financeiro.

Pensando na imersão do metaverso e como ele pode transformar o mercado, o Facebook mudou o nome para Meta com o intuito de se aprofundar neste universo virtual e explorar diferentes formas de oferecer experiências diferenciadas aos clientes. Além disso, a gigante da tecnologia pretende abrir lojas físicas no varejo  para ampliar produtos e serviços da marca, como óculos com câmeras embutidas e modelos do Oculus para atrelar a vivência da loja física à tecnologia do metaverso. Excelente estratégia dentro do varejo para atrair o público aos espaços físicos, inovar no atendimento e impulsionar a venda dentro da loja.

Apesar do metaverso ter ganho destaque por causa do anúncio feito por Mark Zuckerberg à sua companhia, grandes marcas do varejo, como a Gucci, Nike, Renner e Carrefour já estão investindo na tecnologia para expandir a atuação e unificar serviços de lojas físicas às digitais.

O varejo no metaverso

Realidade virtual famosa em empresas de tecnologia, o metaverso ganhou espaço no mercado de varejo para ampliar as experiências dos clientes nas lojas e potencializar as vendas no setor. A Renner, cliente da VZ&CO desde 2010, já adentrou neste mercado inovador para expandir o nome da marca e comercializar os produtos das lojas. Em parceria com o Fortnitejogo multiplayer que já trabalha com o conceito de metaverso com diferentes marcas do varejo —, a rede varejista de moda inaugurou uma loja virtual dentro da plataforma online, e ainda realizou um levantamento interativo com os jogadores para selecionar estampas dos catálogos presentes nas lojas físicas da rede de varejo

No varejo de supermercados, o grupo francês Carrefour comprou um terreno no The Sandbox para ampliar a experiência de compras dos clientes da rede de varejo. O domínio corresponde a 30 supermercados e é um investimento para que a rede de supermercados  entenda o que o metaverso proporciona e como ele pode impulsionar as vendas no mercado de varejo.  

Arquitetura de varejo e projetos para o metaverso

Assim como as lojas físicas precisam de um plano de arquitetura, as lojas virtuais dentro do metaverso precisarão seguir um projeto arquitetônico capaz de interligar funcionalidades tecnológicas, programação e design à arquitetura destes espaços para oferecer experiências diferenciadas aos internautas.

Dentro do mercado de metaverso, a arquitetura pode ser feita por meio de uma criação virtual, e ainda ser comercializada por meio de criptomoedas e NFTs. O espaço, além de ser aberto, permite a interação de diferentes profissionais, como arquitetos, designers e programadores, em busca de desenvolver interfaces diferenciadas e de fácil acesso. E isso não está longe do que já é feito dentro da arquitetura e o uso do BIM.

A metodologia digital é utilizada dentro da arquitetura e construção civil para fazer representações em 3D das construções, permitindo a visualização de cada etapa do projeto arquitetônico. No metaverso, o BIM pode ser utilizado para desenvolver e potencializar os projetos de lojas virtuais.  

Confira algumas vantagens:

O BIM é uma metodologia inteligente e focada em resultados. O método, que já fornece representações digitais em 3D, pode ir além do seu uso tradicional, simulando comportamentos reais de uma maneira digital;

Por ser uma inteligência digital, os projetos de arquitetura podem ser adaptados para funcionarem dentro do mundo virtual;

Os dados digitais dos projetos  no metaverso podem ser transferidos e compatibilizados ao sistema BIM.

 

Arquiteta de futuros

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O sotaque não deixa dúvidas: a arquiteta Vera Zaffari é gaúcha, nascida em Cachoeira do Sul. Filha de empresário da Construção Civil e de empresária no ramo de alimentação, ainda criança, descobriu sua paixão pela arquitetura. Em vez de pentear as bonecas, preferia criar casas e ambientes para elas. Interessada por aquele universo, passou a vivenciar com o pai nas obras e entendeu que ali estava o seu futuro. 

“A arquitetura foi sempre a minha paixão. O cheiro da obra, a convivência diária desde pequena em construções, me moldaram e me tornaram o que sou hoje”, comenta Vera, que além de arquiteta, é  uma empreendedora respeitada, com projetos espalhados pelo Brasil, Uruguai e Argentina. 

Formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), de Porto Alegre (RS), Vera aprendeu já no primeiro estágio a se destacar profissionalmente. Antes mesmo de se formar, assumiu a liderança de vários projetos, aprendendo a lidar não só com a execução de projetos, mas também com os clientes. Resultado? Aos 23 anos, foi  convidada a virar sócia do escritório onde atuava.

Depois de alguns anos na profissão, a arquiteta percebeu que havia adquirido uma especialização na área que mais lhe dava prazer: a arquitetura comercial, em função das empresas que atendia. Em 1998, ela deixou a antiga sociedade para empreender por conta própria. Apesar de sentir o frio na barriga —  por ser uma mulher em uma época em que a arquitetura era majoritariamente dominada por homens —, ela  não desanimou e encarou o desafio. Nascia assim a VZ&CO. 

“Não foi fácil impulsionar o meu próprio negócio, mas as portas foram se abrindo por conta da qualidade dos projetos e pela determinação de sair vencedora – era vencer ou vencer. Fui convidada a participar de uma rodada de seleção de escritórios de arquitetura para atender uma grande rede varejista multinacional”, recorda Vera. 

A disputa somou 44 escritórios e deu à Vera o segundo lugar na classificação geral. Foi o suficiente para ela ser contratada. Esse primeiro grande cliente está até hoje na VZ&CO — mais uma prova da excelência não só dos projetos, mas do atendimento do escritório ao varejista.

E vale destacar: a VZ&CO coleciona prêmios em Gestão de Qualidade e projetos de arquitetura, como você pode conferir nesta linha do tempo da empresa

 GESTÃO INOVADORA  

Logo que começou a empreender, Vera entendeu a importância de ser inovadora para criar diferenciação. Por isso, ela investiu fortemente na qualidade da gestão e na entrega de resultados para os clientes. 

“Nunca quis que a VZ&CO fosse apenas mais uma empresa de arquitetura, mas sim um nome de referência no mercado. Por isso,  fiz inúmeros cursos e MBA em Gestão Empresarial para entender e saber como posicionar o escritório como uma corporação inovadora, que preza pela gestão da qualidade, para entregar resultados e confiabilidade aos clientes”, afirma. 

Há 22 anos no mercado,  a VZ&CO se especializou  em arquitetura comercial e de varejo, mas também tem em seu portfólio projetos em hotelaria, centros de distribuição, restaurantes, arquitetura hospitalar e projetos de renovação e restauro de prédios antigos. 

“Nosso compromisso é entregar um trabalho inovador de qualidade, por meio de tecnologias e práticas sustentáveis. Como gestora,  busco manter relacionamentos duradouros com os nossos clientes e parceiros, sempre pensando em como deixar o escritório alinhado com o futuro”, complementa Vera.

BIM


 

Inovação é um conceito importante na vida de Vera Zaffari. Sempre em busca de trazer mais e melhores resultados para os clientes, ela faz questão de investir em novas tecnologias capazes de agregar valor na realização de projetos, melhorando tanto a qualidade quanto o tempo de entrega.

Em 2014, depois de realizar diversas pesquisas dentro e fora do Brasil , Vera decidiu implantar uma das mais modernas ferramentas de modelagem de projetos na VZ&CO: o Building Information Modeling (BIM). Objetivo? Tornar os projetos da empresa o mais precisos e confiáveis possível.

“Por meio do BIM, conseguimos impactar de forma positiva a cultura de trabalho dos nossos arquitetos e, também, os projetos apresentados aos clientes. Por ser uma ferramenta  com foco em resultados, o BIM  interliga todas as partes interessadas, diminui custos, acelera processos de execução e muito mais”, explica.

Sempre em busca de melhores processos e resultados, Vera e equipe estão sempre estudando novas funcionalidades e pluggins para a ferramenta, Com isso, a metodologia está sempre evoluindo, ajudando a VZ&CO a fazer a gestão de projetos de forma assertiva, otimizando a gestão do tempo de obras, evitando custos desnecessários, maximizando o investimento dos clientes.  Outro ponto importante é a visualização do projeto, que pode alcançar a dimensão até 8D ou mais.  

O uso do BIM  também facilita a colaboração e a comunicação a distância, fazendo com que os erros sejam reduzidos e a produtividade seja aumentada. Esse resultado traz confiança na documentação final”, conclui a executiva, que percebeu na sua experiência com a ferramenta uma oportunidade de negócio. Hoje, além de realizar projetos de arquitetura comercial,  a VZ&CO também apoia  empresas com grande fluxo de projetos comerciais a fazer a transição para o BIM. 

Para finalizar, Vera nos conta qual seria — para ela — o segredo do sucesso: “Eu acredito muito na tecnologia e na inovação, por isso as uso em favor de melhorar a qualidade do trabalho que entrego no meu escritório. Como gestora, faço questão de  oferecer o melhor para quem nos contrata e estamos sempre evoluindo para fazer a diferença e trazer resultados felizes para todas as partes interessadas”. 

Conheça o futuro da arquitetura de varejo

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As pessoas querem mais comodidade e não estão mais dispostas a perder tempo em filas intermináveis ou em ambientes que não lhes ofereçam uma experiência diferenciada. Em paralelo, as vendas online cresceram exponencialmente nos últimos meses e mudanças que levariam cinco anos para acontecer, foram aceleradas pela pandemia da Covid-19. Com isso, o varejo está tendo de se reinventar e a arquitetura que cuida desse setor também. 

O varejo bem-sucedido é aquele que se adapta à medida que as preferências, hábitos e tecnologia do consumidor mudam. E uma das mudanças mais proeminentes foi a mudança para o comércio eletrônico” explica Vera Zaffari, CEO da VZ&Co, escritório de arquitetura especializado em varejo.

Há mais de 20 anos atuando no mercado, ela nos conta sobre as principais tendências do varejo para os próximos anos, acelerados — segundo ela — pela pandemia do novo coronavírus. Confira:

Como você enxerga o futuro da arquitetura de varejo?

Vera Zaffari: Andando pelos centros de compras, mesmo aqueles mais consolidados e considerados nível A ou A+, é impossível não perceber os efeitos da pandemia no varejo de lojas físicas. Vários espaços, antes ocupados por lojas, estão fechados com tapumes no aguardo de novas locações ou soluções inovadoras que reinventem estes espaços. Neste período vimos que as vendas online cresceram exponencialmente no mundo inteiro. Mudanças que levariam 5 anos para acontecer, foram abreviadas e aconteceram em poucos meses. O que parece claro, entretanto, é que uma reformulação massiva da experiência de compra está em andamento. Este é o momento de acompanhar de perto o cenário do varejo que está em rápida evolução. Mudanças demográficas e aumento do comércio eletrônico são características da sociedade atual, ameaçando os shoppings tradicionais. Só que o design de experiência e a tecnologia são os ingredientes principais para o futuro bem-sucedido das compras off-line. Então, o varejo bem-sucedido é aquele que se adapta à medida que as preferências, hábitos e tecnologia do consumidor mudam. 

Quais são suas apostas para o futuro dos shoppings centers?

VZ: O ambiente competitivo está mudando, forçando-nos a repensar sobre o futuro da indústria de shopping center, desde quantos e que tipo de operações precisam abrigar e quão grande um equipamento deve ser para ter sucesso. Embora o e-commerce continue crescendo, a previsão é que em 2030, grande parte das compras ainda ocorrerão em lojas físicas e uma porcentagem ainda maior será influenciada por experiências em um ambiente físico, tornando-se crucial repensar o conceito atual. E me arrisco a fazer algumas previsões de como será o shopping do futuro, mesmo que saibamos que algumas poderão não se viabilizar.

 A conveniência terá um papel ainda maior no futuro do que hoje em função do e-commerce o click collect permanecerá vigente, alguns provavelmente na forma de mercearias de produtos frescos, onde os clientes podem comprar online e retirar os produtos prontos para serem consumidos. Os centros de coleta, operados por um varejista individual ou até mesmo pelo próprio centro de compras, também podem servir como locais onde as compras online sejam retiradas, devolvidas, alugadas e até revendidas. 

Sabemos que o espaço aberto é o marco para essa tendência. Por quê? 

VZ: Pesquisas já revelaram que os centros comerciais precisam ter áreas verdes, inspiradas em parques, e espaços para o cliente trabalhar, estudar, se divertir e até morar. Os espaços verdes podem substituir as grandes áreas de asfalto que cercam os centros comerciais de hoje, ocupando os espaços destinados aos estacionamentos, incentivando os consumidores a interagir com a natureza ou apenas desfrutar da paisagem. Esta possibilidade só se faz possível através do aumento do uso dos carros por aplicativo ou pela tendência de crescimento do uso da bicicleta, diminuindo a necessidade de tantas vagas de estacionamento.

Diante desse cenário, os Open Malls tendem a crescer?

Vera Zaffari: As instalações ao ar livre vêm ganhando popularidade nas compras offline porque permitem um distanciamento social mais confortável ao ar livre e por ser um local que aproveita a ventilação e luz natural. Os custos com manutenção acabam sendo reduzidos. Além disso, por serem construídos, em grande maioria, em bairros residenciais com grande fluxo de pessoas, acabam se tornando opções para quem está em busca de fazer compras rápidas e, preferencialmente, nos caminho de volta para casa já que eles costumam ser mais fáceis de acessar, estacionar e entrar do que muitos shopping centers e centros comerciais regionais. Um ambiente para reunir conveniência, serviços, alimentação e aquele espaço verde para descansar. É um local que os dois lados ganham: os varejistas e os clientes. 

Todas essas tendências que você citou foram provocadas pela pandemia de Covid-19 ou apenas potencializadas por ela?

VZ: Antes mesmo da crise sanitária, o mercado já estava investindo em projetos de Open Malls, mas com a pandemia isso se intensificou. Como estes locais são uma ótima opção para continuar mantendo o distanciamento com segurança, eu arrisco dizer que o período pandêmico foi um catalisador para esse mercado. A tendência é que os ambientes a céu aberto gerem mais energia e engajamento para os clientes do que os tradicionais shoppings fechados. 

Para completar, com o aumento de pessoas em home office, esses espaços poderão ser os locais utilizados para reuniões, apesar de mais raras, que precisam ocorrer de forma presencial. Os centros comerciais passarão a ser o ponto de marcar reuniões, espaços para trabalhar, almoçar, fazer compras, passar por uma consulta, ir à academia etc.

Quais são as vantagens de um open mall para os donos de shopping e lojistas

VZ: O custo operacional é inferior ao de um shopping tradicional. Nos Open Malls existem lojas de diversos segmentos e a estrutura costumam contar com amplo estacionamento. Além disso, esses empreendimentos possuem vantagens similares às de um shopping center, como a segurança, limpeza, gestão profissional etc. Mas o ponto interessante, qual gosto de destacar, é justamente a taxa de condomínio menor. Então é possível oferecer os mesmos recursos de um shopping tradicional, com uma dinâmica de loja de rua.

Quais os ganhos para o consumidor?

VZ: A rapidez para resolver demandas em um só ambiente como conveniência, serviços e alimentação. É um espaço que reúne lojas de diversos segmentos, tornando o centro de proximidade um local completo e variado. Além disso, como já mencionei, é um ótimo ambiente para descansar também por causa dos espaços verdes, caso o mesmo privilegie os espaços com um bom projeto paisagístico.

Falando em consumidor, o que pode ser feito para mantê-los presentes em espaços comerciais? 

VZ: No futuro, toda atividade comercial terá o consumidor como seu arquiteto ou fracassará. O sucesso do varejo – hoje e amanhã – começa e termina com o desenvolvimento de uma compreensão competitiva do consumidor. Cada varejista ou centro de compras precisará elaborar uma proposta de valor ou promessa de marca distinta e inequívoca centrada no cliente. 

Os novos consumidores claramente preferem interações personalizadas e autênticas com a marca, uma preferência geralmente combinada com a crença nos benefícios de criar e manter fortes conexões com suas comunidades locais. Então, enquanto os centros de compras do passado usavam a tecnologia de maneira puramente logística e transacional, os empreendedores do futuro devem aproveitar as tecnologias que lhes permitem interagir e se comunicar com os consumidores armados com suas próprias tecnologias de compras e entendê-los nas suas autênticas necessidades. 

Por que investir, então, em tecnologias para oferecer melhor experiência aos clientes? 

VZ: Porque os centros de compras do futuro serão ambientes onde as pessoas se reúnem para se relacionar com amigos, conectar-se com compradores com ideias semelhantes, buscar experiências únicas, reafirmar valores, e relacionar-se de forma interativa com as marcas em um nível pessoal. As transações serão um subproduto da socialização e do engajamento do consumidor.  Os centros de compras podem se parecer com os shoppings de hoje ou poderão ser bem diferentes. As lojas de varejo tradicionais podem ancorá-los ou podem ser ancorados por unidades residenciais especiais construídas para um propósito, um complexo de entretenimento, um centro esportivo, uma instituição educacional ou instalação de saúde, ou mesmo organizados em torno de um tema ou conceito.

Independentemente da forma, eles serão organizados em torno do “impulso” do consumidor.  A nova ênfase será em bens e serviços locais ou regionais, autênticos, orientados para valores ou ofertas que proporcionam experiências e formam a infraestrutura de conexão que permite e facilita a forma como vivemos, trabalhamos, nos socializamos e, é claro, fazemos compras.